11/09/11

10h28m24s, 11 Setembro 2001



Imagem: o material de Bill Biggart encontrado nos escombros do WTC


Exactamente às 10h28m24s do dia 11 de Setembro de 2001, o repórter fotográfico Bill Biggart, 54 anos, tirou a última fotografia da sua vida.

Morador de Nova Iorque, correu para o World Trade Center assim que soube, por um taxista, que a torre norte do complexo fora atingida por um avião. Entre as 9h09 e 10h28 daquela terça-feira, tirou mais de 300 fotografias do maior ataque terrorista da história americana.

Talvez sem saber o real impacto do momento, às 10h28, Biggart morreu ao ser atingido pelos destroços do desmoronamento do prédio de 110 andares - que queimara por 102 minutos após ser atingido pelo voo 77 da American Airlines a cerca de 790 km/h.
"Morreu na batalha e fazendo o que ele amava. Ele amava ser fotógrafo e amava cobrir grandes acontecimentos ao vivo e este foi o maior acontecimento da década", disse a sua mulher, Wendy Doremus, em entrevista.

Wendy contou que o dia começou tranquilo. Deixaram o filho de 14 anos no seu primeiro dia de aulas do ano, e foram passear com o cão da família.
"Era um dia de céu azul e não havia uma nuvem no céu. Um taxista comentou connosco: "vocês ouviram que o World Trade Center foi atingido?" Então, nós olhamos para cima e havia uma única nuvem passando, do fumo do prédio", relembra.
Ela perguntou a Biggart se ele iria até ao complexo. "Ele disse que sim e esta foi a última vez que o vi".

Wendy lembra que, assim como a maioria dos americanos, os dois pensavam que aquele era apenas um acidente de avião.
Só pouco depois das 9h, quando soube que o segundo avião atingira a torre sul do WTC, se apercebeu que era muito mais do que um acidente.
"Eu liguei, liguei, liguei, mas ele não atendeu. Eu não sabia onde ele estava, apenas tinha saído de casa. Poderia ter ido ao WTC ou ao telhado do estúdio, de onde teria uma vista directa para as torres", lembra Wendy.
Pouco depois da torre sul desabar, a primeira das duas, às 9h59, finalmente conseguiu falar com Biggart. Ele garantiu, contudo, que estava seguro, com os bombeiros, e marcou encontrarem-se em 20 minutos no seu estúdio, a poucos minutos do WTC.


"Eu soube que algo estava errado quando ele não veio ao meu encontro. Ele teria voltado para trocar o equipamento, para pegar mais filmes, para trocar de roupa. Eu liguei várias vezes, mas ele não apareceu".
Wendy conta que ficou preocupada, mas agarrou-se à esperança de que Biggart estivesse entre os centenas de feridos levados de ferry para Nova Jersey.

"No dia seguinte, comecei a procurá-lo", diz Wendy, acrescentando que, na realidade, já imaginara que nunca mais veria o seu marido. "Isto não era típico dele. Ele sempre voltava para casa, ele voltava de zonas de guerra, de qualquer lugar do mundo".

Quatro dias depois dos atentados, Wendy recebeu a notícia de que as equipas de resgate tinham encontrado o corpo de Biggart sob os escombros da torre norte do WTC, junto a crachás de imprensa queimados, três câmaras destruídas, seis rolos de filme e um cartão de memória intacto com 150 imagens.

Só três semanas depois do funeral é que Wendy se lembrou das câmaras.
"Isso foi pior que ter que receber o seu corpo. Porque eram dois cenários: ou nenhuma das fotografias tinham saído e ele teria falhado no seu trabalho ou, se as fotografias tivessem saído, eu veria o que ele viu com seus olhos, eu saberia exactamente o que ele fez na sua última hora e meia de vida, o que é difícil".

Com a ajuda de um amigo jornalista de Biggart, Wendy decidiu publicar as fotografias, que ocuparam páginas de revistas de várias partes do mundo, da "Newsweek" à "Paris Match".

As imagens estão também numa exposição sobre o 11 de Setembro no Museu Newseum, em Nova Iorque, que terá entrada gratuita no próximo fim de semana. Fonte: Folha.com.





Imagem: a última fotografia tirada por Bill Biggart

~ 7 comentários: ~

Sweet says:
at: 11 setembro, 2011 00:24 disse...

Apenas duas palavras : Impressionante e Chocante!!

mfc says:
at: 11 setembro, 2011 17:38 disse...

Um dia em que a Humanidade foi negada.

Sérgio Aires says:
at: 11 setembro, 2011 19:26 disse...

Um exemplo de dedicação e amor à verdade e à sua interpretação (a fotografia).

Existe um Olhar says:
at: 12 setembro, 2011 08:03 disse...

Fiquei emocionada com mais uma história desse fatídico dia.
É impressionante como passados 10 anos, continuam a vir à tona relatos que nos fazem sempre pensar quão frágil é o mundo em que vivemos!
As duas fotos que aqui colocaste são dramaticamente bonitas, imagino tudo o resto!
Manu

Armindo C. Alves says:
at: 14 setembro, 2011 16:48 disse...

Excelente testemunho, escrito e fotográfico.

Abraço.

Nuno Sousa says:
at: 14 setembro, 2011 18:48 disse...

As histórias que há para contar sobre esse malogrado dia.
Obrigado pela partilha

Helder Ferreira says:
at: 15 setembro, 2011 11:21 disse...

Morreu a fazer o que gostava. E isso conta muito.

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