19/05/11

Os funcionários públicos no Mundo



Imagem: Jan Banning.
Sushma Prasad, escriturária assistente na sede do governo do estado de Bihar, Índia. Que foi contratada depois do seu marido, que trabalhava no mesmo departamento, falecer.

O fotógrafo holandês Jan Banning retratou o ambiente em que trabalham funcionários públicos de oito países no livro Bureaucratics. Durante cinco anos, fotografou funcionários públicos na China, Estados Unidos, Libéria, Bolívia, França, Índia, Rússia e Iémen.

Para Banning, as imagens são representativas da organização dos países em que foram feitas e mostram como cada Estado se apresenta aos seus cidadãos.

"Estes escritórios são, por um lado, a vitrina do Estado, mas também são o lugar onde o indivíduo comum passa grande parte do seu tempo”.

A ideia do projecto, segundo ele, surgiu ao ser convidado para fotografar acções de descentralização da administração em Moçambique, para um artigo sobre a ajuda para o desenvolvimento do país, que seria publicado numa revista holandesa.

"No fim das contas, o artigo foi reduzido a uma página e eles decidiram publicar oito páginas de fotografias", contou.

As imagens de Moçambique não entraram no projecto final por serem em preto e branco, mas inspiraram a ideia de fotografar outros funcionários do governo no mundo.

O fotógrafo diz que os países que fazem parte do projecto foram escolhidos "pelo conteúdo, e não só porque nos dariam fotos pitorescas".

"Os Estados Unidos entraram porque são uma super-potência; a Índia, porque é a maior democracia do mundo; a China, por ser o maior país socialista; a Bolívia, por ser o país com maior percentual de índios na América Latina. Cada um desses países representa uma ideia política maior."

Em dois outros países, no entanto, Banning não conseguiu permissão para fotografar. Ele tinha escolhido Cuba e o Vaticano, que acabaram por ficar fora do livro.

"Foi difícil conseguir a autorização para as fotografias em todos os países, foi horrível. Primeiro, porque não sabiam dizer como conseguir as autorizações, já que ninguém fotografa a burocracia", disse.

"O importante era mostrar a burocracia no seu habitat natural. Por isso, era preciso negociar com cada indivíduo e com os directores de cada departamento, o que significou ter que marcar horários, etc."

Banning contou ainda que as diferenças entre o funcionamento da máquina estatal são perceptíveis entre os países.

"Nalguns deles, como na França, encontrei uma burocracia que, de certo modo, funcionava, mesmo que as pessoas tivessem que esperar bastante. Noutros, como no Iémen, parecia que tinham a estrutura, mas não o conteúdo. Havia mesas e cadeiras, mas as pessoas eram como actores, representando um papel de funcionário."

"É como se todo o Estado respeitável precisasse de uma burocracia. Nalguns países ela vai fazendo um trabalho. Noutros, só parte das pessoas está fazendo o trabalho, as outras são quase como uma decoração", concluiu.

O novo projecto de Jan Banning também está ligado ao poder do Estado e às relações dele com os cidadãos. Desta vez, concentrado no sistema Judiciário.

~ 3 comentários: ~

mfc says:
at: 19 maio, 2011 19:00 disse...

Uma foto que dispensa legendas!

L.Reis says:
at: 22 maio, 2011 13:57 disse...

Eu acho que já vi por cá uma repartição parecida com a da fotografia que serve de exemplo ao trabalho do Banning...acho que a única diferença era o facto de o funcionário não ter sari :D

the dear Zé says:
at: 23 maio, 2011 16:35 disse...

isto e´ em que repartição portuguesa?

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