14/05/10

Fundação Cartier-Bresson tenta impedir leilão


A Fundação Cartier-Bresson está a tentar impedir o leilão, marcado para dia 27, de 174 lotes compostos por 66 fotografias, fotolivros e correspondência de Henri Cartier-Bresson, um dos fotógrafos fundadores da agência Magnum. O leilão organizado pela Soler y Llach, de Barcelona, despertou a ira da Fundação, que considera que alguns dos lotes são fraudulentos.

Os objectos em causa pertencem à colecção de Josep Martínez e a leiloeira estima que as fotografias rendam entre os 1000 e os 3000 euros cada.
A directora da fundação, Agnès Sire, comunicou à leiloeira que algumas das imagens tinham assinaturas falsas e que não autorizava a venda. Fontes próximas da fundação disseram ao jornal espanhol “ABC” que especialistas das leiloeiras nova iorquinas Christie’s e Swann rejeitaram vender as peças por considerar as assinaturas duvidosas. É que o fotógrafo não tinha por hábito assinar os seus trabalhos à mão. Além disso, trata-se de fotografias de divulgação e imprensa, que não podem ser vendidas, diz a fundação.
Aude Raimbault, responsável pelas colecções da Fundação Cartier-Bresson, disse ao jornal “La Vanguardia” que “esta venda é grotesca. Como podem vender publicamente cópias roubadas ao autor e fotografias com assinaturas falsas?”. Raimbault disse ainda que “a fundação está há vários anos em contacto com Martínez [o coleccionador] com relação às cópias que ele compra e vende, sobretudo no eBay. Martine Frank [viúva de Cartier-Bresson] e eu própria temos dito muitas vezes que só se podem vender cópias de colecção assinadas por Cartier-Bresson. Todas as outras cópias, com o carimbo do fotógrafo e/ou da Magnum (ou de qualquer um dos seus agentes) são cópias de imprensa que eram utilizadas para reprodução: as revistas deviam devolvê-las, o que nem sempre acontecia”.
Cartier-Bresson deixou claro que todas as cópias de imprensa são de sua única propriedade e que não podem ser vendidas em caso algum. Segundo Raimbault, “Martínez sabe disso, por isso o que nos exaspera é que ele tenta vender cópias com assinaturas falsas”.
Juan Naranjo, director do departamento de fotografia da Soler y Llach, disse ao “ABC” não querer entrar em polémicas com a Fundação, mas insiste que todo o material está em ordem e que têm toda a documentação necessária para provar a proveniência dos objectos. A leiloeira disse também que não pensa cancelar o leilão, a menos que um juiz assim o determine.
Por seu lado, a Fundação não exclui a possibilidade de recorrer a medidas legais para impedir o leilão se a leiloeira não suspender a venda amigavelmente.
Josep Martínez, coleccionador espanhol, auto-intitula-se como detentor da maior colecção de imagens de Cartier-Bresson em Espanha. No catálogo do leilão, Martínez conta que em 1997 enviou ao fotógrafo francês álbuns de fotografias para que ele assinasse. Mais tarde, chegou mesmo a conhece-lo, escreve o coleccionador. Fonte: Público

Imagem: Charles Platiau/Reuters

~ 2 comentários: ~

João Menéres says:
at: 14 maio, 2010 19:52 disse...

O RUI sempre em cima de notícias importantes.
Eu li o Público a correr e os meus olhos nãoderam conta...

Caçador says:
at: 17 maio, 2010 18:36 disse...

É fartar vilanagem!

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