28/07/11

Retirada de exposição fotografia considerada polémica



Imagem: (DR/Sergio Parra)

Um retrato que representa um nu de Cristo com o que parecem ser alguns ferimentos não foi visto com bons olhos pelos espanhóis presentes no Festival de Teatro de Mérida, em Espanha. A direcção do festival teve mesmo que retirar a imagem da exposição “Camerinos”, espalhada pela cidade, depois de ter recebido várias críticas e queixas por parte de muitos católicos ofendidos.

A exposição é composta por vários retratos de actores que se preparam para actuar. São imagens das preparações nos bastidores, as roupas e as maquilhagens. Mas para muitos, a imagem “Infierno” (Inferno), uma versão de “A Divina Comédia de Dante”, de Tomaz Pandur, do Centro Dramático Nacional e representada há seis anos no teatro María Guerrero de Madrid, não é própria para estar exposta.

As directoras do festival, Blanca Portillo e Chusa Martí, enviaram uma carta à imprensa a comunicar a decisão de retirar a fotografia, explicando que não era objectivo do festival ofender ou insultar alguém.
No documento publicado na imprensa espanhola, as responsáveis reconhecem que retirar “uma peça da de uma exposição rompe com a linha de trabalho desenhada pela artista”, no entanto ressaltam que só o fizeram porque receberam vários e-mails de muitos queixosos. “Todos os seres humanos têm direitos legítimos”, escreveram as directoras, indicando que a arte “é acima de tudo um espaço de liberdade cujo objectivo nunca é ofender mas sim mostrar e promover à reflexão”.
Blanca Portillo e Chusa Martí pediram não só desculpa ao autor da fotografia, agradecendo a sua colaboração, como também às pessoas “que não se sentiram ofendidas e que serão privadas” de contemplar a imagem.
Ao Público espanhol, Sergio Parra, responsável pela exposição, explicou que ainda houve a possibilidade de mudar a imagem de sítio para outro mais discreto mas depois acabaram por retirá-la mesmo para não criar confusão no festival.

No entanto, o fotógrafo não deixou de se questionar sobre o tempo em que surgem as críticas, uma vez que a fotografia já tem seis anos e tem estado este tempo todo na sua página da internet. Parra explicou ainda que todos os retratos expostos em Mérida foram espontaneamente tirados nos camarins, não existindo aqui qualquer propósito de provocação. “Limitei-me a observar a vida dos actores nos camarins, ninguém posou para mim.”

A exposição é uma co-produção do Festival de Mérida e do Teatro Espanhol. Dela fazem parte cerca de 50 retratos de grande dimensão, 1,50 m por 2,25 m, cujo objectivo é mostrar a intimidade dos camarins do teatro, acompanhando a transformação dos actores para as personagens.

A par da exposição é publicado um livro-catálogo de 160 páginas, que incluem mais imagens, assim como algumas séries completas do processo de criação do personagem nos camarins. Fonte: Público.

~ 2 comentários: ~

Helder Ferreira says:
at: 29 julho, 2011 07:54 disse...

Eu que sou católico, não vejo mal nenhum na fotografia... enfim...

mfc says:
at: 29 julho, 2011 10:06 disse...

Esta gente ofende-se com pouco e continua a elogiar o espírito das Cruzadas!!

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